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RETRATO FALADO

"O livro de Aracy surgiu de um enigma"
O LIVRO DE ARACY SURGIU DE UM ENIGMA
POR JACQUES DE BEAUVOIR

Jornalista, nascido no Rio de Janeiro e radicado em São Paulo desde 1990, morando oito anos em Salvador, Eduardo Logullo é roteirista, autor de livros e mais um montão de coisas, sempre marcado por seu talento desbravador. Sua passagem pela capital baiana deixou um rastro iluminado, considerando que esteve presente quando a cidade era o epicentro da cultura nacional e de resistência à ditadora. Esta semana estará lançando o livro Não Tem Tradução, sobre a cantora Aracy de Almeida, durante o Festival CineFuturo – IX Seminário Internacional de Cinema e Audiovisual. Logullo bateu um papo com o Bahia Vitrine.



Jacques de Beauvoir
Seu retorno a Salvador é mais que alvissareiro. Vem para o lançamento do livro Não tem Tradução, sobre a cantora Aracy de Almeida, no Festival CineFuturo - IX Seminário Internacional de Cinema e Audiovisual, coordenado pelo cineasta Waltinho Lima, que acontece de 26 a 31 de maio, no Teatro Castro Alves, na Sala Walter da Silveira e na Fundação João Fernandes da Cunha. Fale um pouco sobre esta mulher única, que o Brasil amava e odiava ao mesmo tempo...
Eduardo Logullo

Jaquinho, posso te chamar assim? Você foi o primeiro hipster do Brasil ao fazer “Marylin Miranda”, de barba e figurino absurdo, no palco da Escola de Teatro, dirigido por José Possi Neto (e Zizi Possi ainda anônima, também no elenco). Ali, naquele palco e naquela plateia, surgia uma geração de atores, diretores, pensadores e tantas coisas mais. Vi você no palco mais de dez vezes e aquilo mudou a vida de um adolescente. Você sabe da importância daquele momento na cena cultural da Bahia. E agradeço por estar hoje aqui no seu Bahia Vitrine. 

Bueno... O livro da Aracy surgiu de um enigma: que mulher foi aquela, além da jurada ranzinza e que moldou sua última imagem de artista a partir da televisão, ocultando a imensa importância de intérprete com 432 músicas gravadas?

Revelar isso era a intenção. Contanto que não de maneira acadêmica, certinha e que descombinasse com a mulher (quase) anárquica que Aracy de Almeida sempre foi.

E decidi interpretar a mulher/cantora/personagem a partir de sua fala e a interpretação dela por outros artistas/jornalistas/escritores. Criar uma biografia fragmentada a partir de discursos e falas de Aracy e sobre Aracy. Assim, descobri e revelei momentos absurdos e geniais. Fragmentos de um discurso aracyano.

Jacques de Beauvoir
Muita expectativa entre tribos várias da cidade para o evento que vai trazer muitos famosos, como o cineasta polonês Lech Majewski e o especialista italiano Giácomo Manzoli. O que espera desta “festa”?
Eduardo Logullo

Fico feliz em saber que Walter Lima coloca novamente (com o CineFuturo) a cidade de Salvador em um circuito de luz, inteligência e, sei lá, novas mentalidades. Quem quiser bafafá que procure fazer.

Jacques de Beauvoir
Dentro da programação do festival será feita uma homenagem ao mestre Federico Fellini, com direito a retrospectiva de seus filmes principais e uma mesa de discussão intitulada Delírio Fellini. Caberia no intervalo uma sessão “dolce vita” dos poetas Jorge Salomão (baiano) e Fernando Noy (argentino), convidados do festival para protagonizar performances?
Eduardo Logullo

Jorge Salomão é amigo pessoal, quase irmão. Ligo pra ele sempre, ouço as revolutions absurdas que inventa, as detonações que fazemos/faremos sempre. Poeta dos buracos, dos avanços, dos tremores, dos amores. Sei lá. E Fernando Noy foi, como Marquinhos Rebucetê (você deve se lembrar dele, Jaquinho) é uma das figuras mais absurdas e performáticas da Bahia dos anos 1970. Noy hoje é poeta/produtor cultural respeitado na Argentina. Mas ele vem da geração do desbunde radical.

Jacques de Beauvoir
Danuza Leão, Maysa, Aracy e em breve Elke Maravilha, mulheres que você escolheu para serem retratadas em seus livros. Qual o ponto de união neste quarteto fantástico?
Eduardo Logullo

Responderei por etapas... e beijos. Danuza: apenas organizei o primeiro livro, num momento heavy da sua vida. Consegui editora, levantei a coluna vertebral/emocional dela, arrumei os textos, dei título pro livro e saltei de banda. “Na Sala com Danuza” vendeu mais de 400 mil exemplares e ficou 38 semanas em primeiro lugar de vendagens no Brasil. Nas sequências seguintes, fui removido por sinhá Danuza. E andei para outros lados. Ainda bem.

Mayza e Aracy são duas mulheres complicadas e que trazem Y em seus nomes. Antagônicas, nada simples, em tudo complicadas, em tudo geniais, em tudo marcantes, em tudo autorais, em tudo definitivas. Por isso quis TENTAR entendê-las. Mulheres que jamais passarão na história da MPB em brancas nuvens, né?

Elke Maravilha? Seguinte: a única unanimidade do país. Já a encontrei em vários eventos e ela atrai dos faxineiros aos patrocinadores; todos encantados por a mulher-enigma-libertária.

Jacques de Beauvoir
Você viveu em Salvador naqueles bons e loucos tempos em que a cidade fervilhava. Não sei precisar exatamente quando. Fale daquela sua boate, perto do Cristo da Barra, que foi o point mais agitado da época. Impressionava o calor do ambiente. Ninguém se incomodava e só saia de lá quando o dia raiava!
Eduardo Logullo

Nasci no Rio, moro em São Paulo. Mas vivi/morei oito anos em Salvador, quando a cidade era o epicentro da cultura nacional e de resistência à ditadura. Havia núcleos loucos e altamente radicais/criativos. Fui aquele adolescente que se metia em tudo, que queria ver tudo. E vivia no Porto da Barra. Depois, inventei (com Carlos Borges) o programa “Som 4” na TV Aratu, virei produtor/realizador de programas de rock no Irdeb (!) e mil outras coisas (redator de jornais, etc). Ao perceber que havia feito quase tudo em Salvador, abri a primeira casa noturna do Brasil com o nome “danceteria”. A ideia veio de Marcelo Nova, que trabalhava comigo na Aratu FM (antes do Camisa de Vênus). O local se chamava SINGAPURA DANCETERIA. E fizemos shows inacreditáveis lá. E saíamos sempre com o sol na cara. Bons tempos, né? Mas o sol há de raiar! Sempre.    



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