Quinta, 14.01.2010

Zumbido no ouvido

Clarice Saba (colaboradora)


Zumbido, o som que vem de dentro do ouvido e incomoda mais de 6 milhões de brasileiros, tem cura. A maioria das pessoas que não tem problema de ouvido consegue ouvir um som baixinho se ficarem em lugar bem silencioso e prestando atenção nos ouvidos. Isso é o que muitos chamam de som do silêncio e que não incomoda porque deixa de ser percebido assim que se sai do silêncio. No entanto, pessoas que se queixam de zumbido a ponto de procurar um médico escutam um som mais alto ou mais constante, que nasce, na maioria das vezes, dentro da via auditiva e que incomoda muito.

O ouvido é como um minúsculo sensor do nosso corpo, por isso pode ser afetado por vários problemas surgidos em outros órgãos. Claro que as causas do próprio ouvido como cera, otites, labirintites e tumores do nervo auditivo são as mais comuns, mas o zumbido também pode ser causado por uma série de outros fatores como diabetes, colesterol alto, pressão alta, alterações hormonais da tireóide, problemas cardiovasculares, meningite, trauma craniano, problemas ósseos ou musculares na coluna cervical e até mesmo na oclusão dentária. Além dos fatores emocionais, como ansiedade e depressão. O zumbido não é uma doença específica, ele é um sintoma. Como uma febre ou dor de cabeça, que pode ter uma ou várias causas por trás dele. Um problema que afeta 17% da população mundial.

O otorrinolaringologista é o médico especialista que conduz a investigação e o tratamento do paciente com zumbido, mas em muitos casos o tratamento precisa de uma equipe multidisciplinar que envolve fonoaudiólogos, psiquiatras ou psicólogos, neurologistas, endocrinologistas, cardiologistas, dentistas ou fisioterapeutas, dependendo das causas encontradas na avaliação de cada paciente.

O maior problema na identificação do zumbido é a idéia de que zumbido não tem cura, revela a médica otorrinolaringologista Clarice Saba, especialista em zumbido. No Brasil o zumbido só passou a ter diagnóstico mais preciso nos últimos cinco anos, antes era tratado apenas como problema vascular. O zumbido pode ser percebido como um som de apito, um chiado, um barulho de chuveiro ou de cigarra.

Além das causas do próprio corpo, apontadas como agentes para o surgimento do zumbido, o barulho excessivo e a exposição aos altos níveis de pressão sonora também estão entre os principais fatores de risco. Pessoas de qualquer idade podem apresentar zumbido, inclusive as crianças, mas geralmente o problema é mais freqüente na terceira idade. - 33% de idosos sofrem com zumbido.

O sono e a concentração são as funções mais prejudicadas na maioria dos pacientes e muitos desistem do tratamento por causa do estigma de que zumbido não tem cura. O mais importante no tratamento do zumbido é identificar as causas do problema para definir o tipo de tratamento, afirma Clarice Saba. Em alguns casos é preciso o uso de medicação específica, em outros pacientes o tratamento é feito através de terapia de retreinamento das vias auditivas. Na maioria dos casos, o resultado é a cura, em outros o zumbido é controlado. O tratamento é longo, dura cerca de um ano, mas acena com a garantia do restabelecimento de uma vida normal e produtiva.

Currículo de CLARICE SABA

- Diretora Técnica do Centro de Otorrinolaringologia da Bahia (CEOB)
- Preceptora da Residência Médica em Otorrinolaringologia da Santa Casa de Misericórdia da Bahia - Hospital Santa Izabel
- Fellow do Jackson Memorial Hospital - USA
- Fellow no Groninghen Ziekenhuis - Holanda
- Presidente da Sociedade de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço da Bahia