Tenho certeza que a tranqüilidade de Mário Kertésk tem a ver com sua família. A sala onde fizemos a entrevista emana muita paz. Dois componentes são fortíssimos no ambiente: lindas fotos dos pais, filhos e netos, e livros. Muitos livros, uma paixão do entrevistado. Essa dualidade família/cultura esteve sempre presente a outros assuntos abordados durante o bate papo. Sensível, inteligente, culto e astuto, Mário Kertésk sabe aliar tudo isso de maneira harmônica, permitindo abocanhar o título que lhe é dado por meia Bahia: o de melhor comunicador da cidade.
Nasci em Salvador, mas meu pai é de Budapeste, na Hungria, e minha mãe, brasileira do Amazonas, mas também judia. Eles são falecidos.
Não, Só freqüento a igreja uma vez por ano. Exatamente amanhã (no caso 08/10, sábado), que é uma data importante, o dia do perdão. É uma reza para os mortos. Vou mais em homenagem aos meus pais.
Não. Não rezo nunca. Não faço prece nem nos momentos mais difíceis.
Acordo ás 05h30 da manhã, me preparo, venho para a rádio. Entro no ar às 07, fico até às 10. Em seguida, é a vez de reunião de pauta com o pessoal da rádio, do jornal, do blog e do portal. Depois, volto à rádio, tenho um programa ao meio-dia. Às 13h, normalmente tenho um almoço que recebo convidados para conversar sobre política ou então com o pessoal daqui para discutir administração. Na parte da tarde, recebo muita gente para falar de vários assuntos. Daí, entro no ar, novamente, das 18 às 20h.
Tenho equipe de produção boa e muitos comentaristas. Não trabalho com roteiro, a não ser a indicação dos comentaristas. O programa é ao vivo, que com muitos telefonemas de ouvintes vai mudando o curso da conversa. Às 20h volta para casa.
(risos) – Deve ter gente achando. Legal. Não importo não. Que nada, me divirto muito!
Acho que deixou de ser social para ser colunismo mercantil. Na realidade, o que se ver hoje são colunistas sociais vendendo produtos, médicos de várias áreas, decoração... Colunismo social você faz, Therezinha Cardoso também. Procura dar notícia, até de ordem política, econômica. Veja, em São Paulo, Monica Bergamo (A Folha de São Paulo) é uma coisa fantástica, é uma coluna que dá prazer, porque você se informa. Aqui, você fica sabendo que abriu uma loja na Alameda das Espatódias, algum médico foi para um congresso, recebeu um convite tal... Fica travestido de notícia, quando na realidade é release. Não se faz mais jornalismo. São essas empresas de assessorias de comunicação que saem distribuindo release e se você olhar, às vezes, sai a mesma notícia em três colunas. Sinto saudade de Guilherme Simões quando era colunista social de A Tarde. Tinha prazer em ler.
Adoro. Acho aquele espaço fantástico e faço tudo para que seja preservado. Faço divulgação de tudo que acontece lá, gratuitamente.
Gosto dos dois, mas tenho preferência mesmo é por um bom filme. Pena que o cinema europeu não chegue com mais freqüência a Salvador. Mas existe muito filme americano bom. O cinema argentino é fantástico e gosto também do mexicano. Sou freqüentador também das salas do Circuito Saladearte. A que existia no Bahiano de Tênis deixou uma lacuna enorme, pois era uma das melhores.
Freqüentava. Ultimamente aqui em Salvador o teatro está muito fraco. Aliás, no Brasil, de modo geral, o teatro caiu bastante. Quando estou em São Paulo vou muito ao teatro com meus filhos.
Olha, rapaz, aí que não vou mesmo. É picaretagem. Normalmente no elenco tem dois atores, no máximo três, sem cenário... enfim, nenhuma produção... É caça níquel mesmo!
Me filiei ao PMDB. Nós vivemos um momento importante da política e pode ser até que me candidate a alguma coisa. Salvador está em situação terrível, num buraco, a população desanimada e muito guardada. Caso sinta que há um grupamento forte com possibilidade de ter um bom projeto para a cidade, posso entrar. Fora disso, estou muito bem aqui.
Aí teria que parar. O trabalho seria mantido pela equipe da empresa, dirigida por meu filho, Chico.
Cinco, três homens e duas mulheres. Chico, como falei, mora aqui, os outros em São Paulo. Uma filha, é presidente nacional da Johnson&Johnson; outro é vice-presidente da África; outro, diretor da Odebrecht e a outra, tem empresa de publicidade.
Há três anos e muito bem casado.
Tem uma tiragem maior. Quanto ao sucesso, se deve em parte a coluna social assinada por você e Paulo Sousa.
A equipe dispõe de rádio, jornal, portal e blog... então, tem um grupo grande que trabalha. A notícia circula de um para outro. Isso facilita.
Eu fazia na Band, como mudou a rádio para a Bandnews, acharam que eu era concorrente. Suspenderam meu contrato. Aliás, achei uma besteira. A Bandnews é uma rádio que tem valor, só que é mais nacional que local. Minha rádio é local. Mesmo tendo em comum a coisa da notícia, é completamente diferente.
Agora, não dá mais tempo, rapaz. Estou muito ocupado. Chego aqui às 07 e saio às 08 da noite.
De casa.
Pouco.
Adoro a comida do Ercolano, comandada pelo chef Zezinho, e do Soho, onde meu amigo Bartô é uma festa. Tem também o Oui. Uma época ia muito ao Lafayette. Acho a Marina um ambiente muito agradável. Tem mais: Baby Beef e Chez Bernard, que tem uma vista extraordinária. Freqüento ali há 40 anos. Na linha popular, curto muito o Farad, restaurante bem povão, no Santa Mônica.
Nova Iorque, Paris e Madrid.
Fico horas e horas em livrarias. Aproveito a coisa da segurança à noite para andar. Ando muito, é o inverso da minha vida sedentária de Salvador. Ah! Vou muito a cinema no exterior.
Inglês, francês, italiano, português e espanhol.
No ano passado fui a Israel com meus filhos. Vou muito a Hungria. No carnaval, estou programado viajar com meus cinco filhos para Budapeste, terra do meu pai. Sou apaixonado por meus filhos. Falo com eles todos os dias. Meus filhos fazem parte da minha vida.
Seis.
Adoro ser avô, mas acho que os pais é que têm que educar. Rapaz, eu sou muito família. No verão, eles vêm pra Salvador. Eu também vou muito a São Paulo. Hoje adoro a cidade. Antes gostava mais do Rio, onde morei por quatro anos.
Não. Que nada! Foi uma questão de circunstância. Minha mãe morreu de repente, eu tinha 17 anos. Comecei a trabalhar cedo. Casei com 21 anos de idade.
Já estou no sexto. Casamento, casamento mesmo, três. Tenho quatro filhos com Eliana, sendo que o mais velho com minha primeira mulher. Tive filhos muito cedo. Meu filho mais velho tem 44 anos. Tenho seis netos: três homens e três mulheres. Empatou agora.
(risos). Pois é. Veio mesmo de outro planeta. E é ótimo. Diziam que ali devia ser construído um prédio histórico do século 16. No meio de outros da mesma época?!
Aquilo ali foi obra de Antonio Carlos Magalhães, governador na época, que mandou Clériston Andrade derrubar a Biblioteca Pública e o Arquivo Público para fazer uma coisa horrorosa, que passou a ser chamada Cemitério do Sucupira, em alusão à novela global, O Bem Amado. Quando eu vim para a prefeitura pela segunda vez, tirei aquele cemitério e realizei a construção.
Acho que dá uma energia maravilhosa ao ambiente. É obra de um grande pintor húngaro, que meu pai comprou há 70.
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