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ENTREVISTAS

Entrevista com Kátia Chamadoiro e Luisinha Brandão
Dupla louca e visionária
POR JACQUES DE BEAUVOIR

Durante visita a uma feira no Rio, Kátia Chamadoiro e Luisinha Brandão, tiveram o primeiro estalo para montar a Casa Cor Bahia. Isso foi em 1994. São onze anos de estrada e não pretendem parar. O trabalho da dupla foi e continua sendo audacioso. Virou escola. Não só como aprendizado para decoradores e arquitetos da terra e no edificante trabalho em resgatar imóveis que fazem parte da história de Salvador mas também em beneficiar entidades filantrópicas. A 11ª Casa Cor Bahia, instalada este ano, no Mercado do Ouro (Comércio), pode ser conferido até 6 de novembro.


Jacques de Beauvoir
Como surgiu a idéia da Casa Cor?
Entrevistadas
Em 1994, eu e Luisinha fomos a São Paulo conferir uma feira e ficamos amigas do pessoal que nos convidou para ver a Casa Cor. Foi amor a primeira vista. Fechamos a franquia e no ano seguinte demos início a Casa Cor Bahia. Luisinha - Basicamente, a idéia da Casa Cor foi valorizar o trabalho do arquiteto e decorador baiano. Antes, todo mundo que queria arrumar a casa ia a São Paulo. Kátia - Hoje tudo que tem na capital paulista tem aqui. Uma conferida na Alameda das Espatódias (Caminho das Árvores) comprova isso. As pessoas começaram a sentir que casa poderia ser um local agradável. Ter a sua cara. A Casa Cor veio para educar e proporcionar conforto. Luisinha - O profissional minimiza o custo do cliente e otimiza os espaços.
Jacques de Beauvoir
Antes da Casa Cor já existiam algumas estrelas na decoração baiana. Alguma rivalidade?
Entrevistadas
Não deixamos de sofrer pressão. Faz parte. É a lei natural das coisas. Eles continuam e nós reforçamos a profissão do decorador. Enfim, todo mundo saiu ganhando. Luizinha - Eram poucos nomes. Com a Casa Cor surgiram muitas crias: Iolanda Almeida, Sidney Quintela, José Raimundo Marcelino, Jô Almeida, Cátia Bacelar, Camilo Baiardi, dentre muitos.
Jacques de Beauvoir
Deve ser uma trabalheira encontrar local para instalação da Casa Cor
Entrevistadas
O imóvel requer espaço. No início tivemos casas maravilhosas como a de Mário Portugal, Martha Tanajura, o Sofia Costa Pinto. Na casa dos Carvalho, na Graça, tombada pelo patrimônio histórico, o Ipac entrou conosco mas tivemos de fazer um contrato de comodato: não existe dinheiro e o imóvel é cedido por benefício. O Ipac recuperou tudo e hoje o local é um cerimonial. Kátia - Depois veio o Trapiche. Daí para prédios históricos que são belos principalmente na Cidade Baixa. Olha, é um estresse! Nossos prazos são imutáveis. Mas compensa. A gente traz beleza para muitos espaços que estavam praticamente deteriorados. Depois que saímos, muita coisa fica: piso, passeio, pintura...
Jacques de Beauvoir
Como funciona a empresa para uma instalação
Entrevistadas
Na Casa Cor o tema do ambiente tem que ser respeitado. Até porque é uma exposição temática. Arquitetos e decoradores fazem a pesquisa. Kátia - O projeto é acompanhado pelos arquitetos. O deste ano tem assinatura de Luiz Humberto Carvalho, o mesmo que fez a 1ª Casa Cor, no Alfredo di Roma.
Dupla louca e visionária
Jacques de Beauvoir
E vocês viajam para dá uma conferida em outros estados
Entrevistadas
Visitamos a Casa Cor Rio este ano. Existe forte tendência para a madeira clara. Aqui, agora é a escura. Houve uma época que o clean era o máximo. Hoje os ambientes estão mais aquecidos. Incrível, a decoração já se mistura com a moda. As lojas atuais têm designs maravilhosos. Por exemplo, a Forum de São Paulo, a arquitetura divide o espaço com a roupa. Luisinha - Antes era o artesanato vindo da Tailândia, Bali, China. Agora é a força do artesanato brasileiro. O que temos de agradecer ao Sebrae.
Jacques de Beauvoir
Foi um milagre o que foi conseguido na Casa Cor deste ano levando em conta o estado em que se encontrava o Mercado do Ouro. O aconchego é de um claustro de igreja.
Entrevistadas
Era quatro casinhas em todo o imóvel e o chafariz. As casinhas foram destruídas, aproveitamos os arcos e surgiu realmente um claustro. Até a ventilação é fantástica. Kátia - Tentamos resgatar a origem, as características originais do projeto.
Jacques de Beauvoir
E as novidades deste ano?
Entrevistadas
O piso da Eliane - uma cerâmica translúcida chamada cristalato que pode ser concebido para grandes espaços. Outro lançamento de piso, o concrefite - concreto em placas grandes. Luisinha - A linha nova da Deca - iluminação de chuveiro e a introdução do PVC nas esquadrias e forros. Um achado para nossa cidade quando o assunto é ferrugem.
Jacques de Beauvoir
E o lado social?
Entrevistadas
Todo ano tem uma entidade beneficiada. Desta vez, são as ongs - Cipó, Museu de Arte e Ofício, Projeto Axé. As crianças ficam deslumbrados. Luisinha - São desfiles, espetáculos de dança, grafiteiros. Todo semana tem uma ong.
Jacques de Beauvoir
Sem contar os muitos empregos antes e durante a mostra
Entrevistadas
São mil e duzentos empregos diretos e indiretos. Kátia - A Casa Cor gera emprego principalmente para a construção civil que anda em baixa.
Jacques de Beauvoir
A cada instalação, as cabecinhas de vocês ficam a mil na cata de novidades
Entrevistadas
A cada ano temos que surpreender. Luisinha - Já perguntaram porque não fazemos a Casa Cor no ferryboat. Kátia - Tem a coisa da oscilação. Poderia ser no Dique. Quem sabe. Luisinha - A Casa Cor na Codeba tinha dois restaurantes com estrutura em balanço de 5 metros. Foi uma ousadia.
Jacques de Beauvoir
Vocês são guerreiras mesmo...
Entrevistadas
Somos loucas e visionárias!



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