Retrato Falado

  • POR JACQUES DE BEAUVOIR

    O figurino faz parte de um contexto

    Entrevista com Karla Borges
    • Baiana, com energia invejável e sempre de bem com a vida, Karla Borges é uma vencedora em tudo que faz. Aos 23 anos passou no concurso público para Auditora Fiscal da Secretaria Municipal da Fazenda do Salvador, onde trabalha até hoje. Professora de Direito Tributário, graduada em Direito e em Administração de Empresas na UFBA, por várias vezes integrou comissões nacionais representando a Prefeitura de Salvador, fato que lhe oportunizou estreitar relações com as diversas administrações fazendárias do país. E mais: Karla é Pós - graduada em Comércio Exterior, Direito Tributário, Administração Tributária e Direito Tributário Municipal, com especialidade em Cadastro pelo Instituto de Estudios Fiscales de Madrid e Economia Tributária pela George Washington University, além de autora do Código Tributário e de Rendas do Município do Salvador Anotado de 2003. Atualmente escreve toda semana artigos jurídicos em jornais e sites. Como se não bastasse, é uma socialite das mais badaladas da cidade, admirada por sua elegância e carisma. Karla Borges é casada com o jurista Helcônio Almeida. Confira o bate-papo com o Bahia Vitrine. Fotos de Paulo Sousa.

    • Jacques de Beauvoir
      As pessoas dizem que o mundo é um teatro. Você disse que, quando criança, sonhava em ser atriz, chegando a participar aos 11 anos do Programa de Tia Arilma. Será que para alcançar esta gama de funções que acumula na vida adulta seria necessário recorrer a personagens vários no teatrão em que vivemos?

      Karla Borges:

      Na vida, nós desempenhamos vários papéis e acabamos por nos tornar vários personagens em um só. Entretanto, é bom deixar claro que existem características comuns a todos eles e que jamais variam: o caráter, a honradez, a honestidade e a dignidade. Não se concebe que alguém seja um exímio profissional e um péssimo filho ou irmão, afinal o ser humano é um só. Como exerço várias funções, procuro dar a cada uma delas a medida certa. Nem sempre agradamos, mas o importante é acreditar que nesta vida devemos servir ao próximo e viver cada minuto como se fosse o último para não nos arrependermos.

    • Jacques de Beauvoir
      Impressiona o jogo de cintura que mantém no dia a dia para equilibrar tantos afazeres profissionais, domésticos e marcar presença em eventos sociais. E o mais incrível: realiza tudo a contento. O figurino é fundamental para o enriquecimento de cada tarefa?

      Karla Borges:

      Não diria fundamental, mas certamente o figurino faz parte de um contexto e termina por revelar um pouco do que somos. Por isso, devemos ter cuidado. Procuro compatibilizar a minha vida profissional com a pessoal. Se  for proferir uma palestra, por exemplo, não posso me vestir como se fosse a uma festa, do mesmo modo no ambiente de trabalho. Costumo usar com frequência peças coringas, como spencers, para dar formalidade ao figurino e os dispenso quando possível. Mas, sem dúvida, o maior figurino que alguém pode ter é o conteúdo.

    • Jacques de Beauvoir
      Por exemplo, mudar a cor do cabelo, usar um look específico seria uma estratégia?

      Karla Borges:

      Pode até dar certo, mas não me utilizo dessa estratégia. Gosto da diversidade, costumo mudar muito o padrão. Dificilmente as pessoas me veem do mesmo jeito. Quanto à cor do cabelo, foi realmente a necessidade com a idade, quando os brancos começaram a aparecer em maior número. O fato é que o cabelo claro deu um toque de leveza ao meu visual, mas confesso que sinto muita saudade daquela morena que um dia existiu dentro de mim.

    • Jacques de Beauvoir
      Mãe extremada, filha dedicada, muitas formaturas, professora, colunista... Você é uma jovem mulher multifacetada. De quebra, bonita, charmosa e cheia de estilo. Até onde tais ingredientes influenciam para o sucesso de tantos segmentos alcançados por você?

      Karla Borges:

      Talvez, você que me conhece há tantos anos, tenha tocado agora na minha melhor seara: a família. Nada do que sou seria possível se não tivesse nascido de Kissinha e Benedito Borges. Não tenho dúvida de que tudo que sou, devo a eles. Minha mãe sempre muito exigente e disciplinadora na nossa formação e meu pai o maior treinador e incentivador que alguém poderia ter nessa vida. Esses ingredientes terminaram por me conduzir ao que eu sou. Não adianta ser nada no mundo se você não for uma pessoa boa e pregar o bem. Sempre ouvi dos meus pais que o maior legado que alguém poderia ter é o conhecimento e foi atrás dele que eu fui. Sou uma felizarda, pois Deus ainda me contemplou com um marido especial e dois filhos maravilhosos que sempre tiveram a compreensão da Karla lutadora, empenhada, obstinada. Lógico que a aparência, às vezes, abre portas, mas fique certo: o mais importante é a beleza que vem de dentro, das doces palavras, do tratamento carinhoso e cordial, da forma de se relacionar com o outro. Sucesso é ser feliz e graças a Nossa Senhora de Fátima e a Santo Antônio, eu sou!

    • Jacques de Beauvoir
      Além do português, fala inglês, francês, italiano, alemão e espanhol. Sua cabecinha é do mundo. Ou melhor, está sempre prontinha para galgar aquele primeiro lugar. Aquela colocação que a deixava desolada quando uma colega do colégio passava em sua frente, como afirmou neste bate papo...

      Karla Borges:

      Verdade. Sempre fui muito competitiva, agora menos. O amor por língua estrangeira surgiu do desejo de um dia seguir carreira diplomática, mas a mera possibilidade de estar longe da minha família me fez recuar, embora seja muito bom poder me comunicar na língua do país que visito, adoro!!! A mania de primeiro lugar foi influência de meu pai. Ele sempre dizia que podíamos avançar mais e vibrava com cada conquista como se fosse um campeonato de futebol. Quando tirei primeiro lugar no vestibular de Administração de Empresas da UFBA, ele mandou fazer um cartaz enorme, cheio de orgulho. Às vezes, incentivo e muito amor fazem milagres e a vontade de retribuir tanta adoração que ele tem por mim e por minhas irmãs, faz com que a gente não pare e busque sempre novos desafios.