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ENTREVISTAS

Entrevista com Irá Salles
Hoje, quem faz moda não é mais o estilista e sim o consumido
POR JACQUES DE BEAUVOIR

Partindo da premissa de que não segue tendência, a designer baiana Irá Salles, realiza trabalho autoral na valorização de uma identidade brasileira, em especial, o Nordeste. Nosso bate-papo foi no aconchegante show-room (Caminho das Árvores) que abriga atualmente sua coleção de Verão/2006 (bolsas em crochê, couro, palha e estampa para serem usadas em diferentes partes do dia) que a partir da próxima quinta, aterrissa em Nova York.


Jacques de Beauvoir
É claro que um trabalho singular como o seu não nasceu de uma noite para o dia. Tem estrada. Foi uma busca de identidade ou simples prazer de mexer com moda?
Irá
Talvez as duas coisas. Há quatro anos atrás cursava, em Nova York, a escola de moda Parsons, voltada para a alta-costura. Cheguei a trabalhar com Carolina Herrera. Mas, o estalo foi uma das minhas viagens ao Brasil. Desenhei uma peça para ser confeccionado em crochê e mandei fazer. Amigas gostaram. Resolvi levar uma pequena coleção para apreciação dos novaiorquinos. Adoraram. Foi lá que nasceu meu trabalho como designer.
Jacques de Beauvoir
Fale da nova coleção que esta semana aporta em Nova York
Irá
Vou para a D & A, feira que reúne americanos de todas as partes dos Estados Unidos. O básico são bolsas em crochê, couro e palha usadas em brunch, passeio no calçadão ou jantar romântico. Na linha praia, a palha vem com florzinhas coloridas de crochê e forro para proteção. Para a noite, vira carteira, ponto-chave da coleção. E a bolsa com porta-retrato.
Jacques de Beauvoir
Acompanho seu trabalho e sinto aprimoramento, criatividade, contemporaneidade, sem perder suas raízes
Irá
Por exemplo, na nova coleção, o meio-ponto crochê (base do meu trabalho) começou um namoro com a palha que, por sua vez, se uniu ao dourado - numa evolução do rústico com o glamuroso - ao couro e à estampa. Tudo devidamente harmonizado. O importante de uma marca é que ela não se perca. Além das bolsas, a identidade de minha grife vai para as roupas de bebês e utensílios.
Jacques de Beauvoir
Seu trabalho carrega muitas cores. Essa seria a causa da aceitação lá fora
Irá
O colorido é coisa nossa. Lá o neutro predomina. Além de prático, o americano se interessa muito pelo design e modelagem. A bolsa deve ser grande, com alça que alcance o ombro e tenha zíper. Aqui, a mulher usa bolsa grande no verão e pequena no inverno, Lá, é o contrário. Sem contar que, primavera e outono, a bolsa de inverno continua a ser usada.
Hoje, quem faz moda não é mais o estilista e sim o consumido
Jacques de Beauvoir
É preciso jogo de cintura para equilibrar seu trabalho que já ganhou o mundo
Irá
Já tenho 18 pontos de vendas nos Estados Unidos e passo a ter uma representação em Paris. Sem contar Japão, Canadá e Austrália
Jacques de Beauvoir
Um tento, com certeza! E o europeu?
Irá
É diferente do americano, consumidor, por excelência. O europeu é mais politizado, aceita melhor o trabalho artesanal.
Jacques de Beauvoir
E no Brasil?
Irá
Na parte de bolsas tenho 50 pontos de vendas e uma loja em São Paulo, na rua Normandia, no bairro de Moema.
Jacques de Beauvoir
Como funciona sua grife em Salvador?
Irá
Tenho showroom onde se encontra o exclusivo que representa a marca. São roupas, linha de casa e para bebê, acessórios... A parte de bolsa, a venda é por atacado.
Jacques de Beauvoir
E seu consumidor?
Irá
Tenho público eclético. Do bebê a pessoas de 80 anos. A marca está prá quem gosta. Fafi, minha filha, aqui a meu lado, adora!



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