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Entrevista com Davidson Botelho
A aviação brasileira em 2005 vai bem
POR JACQUES DE BEAUVOIR

Quarentão charmoso, empresário de sucesso, Davidson Botelho recebeu o Bahia Vitrine em seu escritório no Edifício Cempre (Pituba). Representante da TAM em Salvador onde realiza excelente trabalho, Davidson também é atleta - que utiliza o esporte como qualidade de vida. Casado com Du, é pai de dois lindos filhos: Tiago, 9 anos e Hannah, 14. Em parceria com funcionários da TAM, Davidson Botelho realiza uma ação social que prepara 250 crianças para a escola pública em Sussuarana.


Jacques de Beauvoir
A TAM está completando uma década de Salvador e você seis fazendo parte dela. Como é ser funcionário da empresa?
Davidson
Não sou funcionário da TAM. Tenho uma empresa que a representa através de 259 funcionários para atender a interesses comerciais, operacionais e administrativos. Um é exclusivo do outro. A TAM alcança 50% de mercado em Salvador o que a coloca na linha de frente.
Jacques de Beauvoir
Já existem vôos internacionais saindo de Salvador?
Davidson
Todos os domingos direto para Miami. Saindo de São Paulo, existem vôos diários para Paris, Buenos Aires, Santiago do Chile, Assunção, no Paraguai. Em novembro, a empresa inaugura vôo direto para Nova York, saindo da capital paulista. Nos últimos seis anos o crescimento foi na ordem de 590% em Salvador. Um recorde.
Jacques de Beauvoir
E o impacto do 11 de setembro
Davidson
No início foi difícil. Muitas empresas fecharam. Porém os números já foram recuperados. Nova York é a rota do homem de negócio, sem contar o turismo de compra, gastronomia, cultural. Quanto a nossa aviação atualmente vai bem.
Jacques de Beauvoir
E a comida de avião? Tem gente que detesta
Davidson
Serviço de bordo já foi destaque. Com o impacto do 11 de setembro de 2001, as companhias tiveram que se reestruturar principalmente pela alta do petróleo e do dólar. Por exemplo, a não existência do bilhete físico. Hoje é eletrônico.
A aviação brasileira em 2005 vai bem
Jacques de Beauvoir
Tudo bem. Mas o que servem parece comida de brinquedo...
Davidson
Aí tem a considerar dificuldades, tipo condições técnicas de armazenamento, o desconforto de comer no avião, a mudança de metabolismo com a possibilidade da pessoa se sentir mal. Além da tensão que muita gente sente quando voa.
Jacques de Beauvoir
O passageiro não desfruta mais de uísque e vinho
Davidson
Nos vôos nacionais foram tiradas bebidas de alta graduação alcoólica. Só ficou a cerveja. Nos Estados Unidos e Europa esse serviço é pago. No Brasil pode não ser o desejável mais ainda existe a qualidade do serviço. Transporte aéreo hoje já é popularizado. Há dez anos atrás uma passagem para Miami custava 1.200 dólares, hoje 650,00!
Jacques de Beauvoir
Por ser empresário você se sente um pai ausente?
Davidson
Pai preocupado. Já tem onze finais de semana que passo fora de Salvador. Quando estou por aqui, procuro ficar em casa, invento sempre algo para juntar a família. A empresa hoje me possibilita duas férias no ano. Sem contar que adotei a prática de levá-los para o lugar de trabalho. Final de semana passado, fomos a Buenos Aires; no próximo, levo Tiago para a Fórmula 1, em São Paulo. Vida social praticamente não existe. Não vou mais a almoço de negócio. Esse horário aproveito para uma atividade física.
Jacques de Beauvoir
Andam dizendo que você virou atleta
Davidson
Duas vezes por semana tenho encontro com o atletismo. É meu combustível pessoal e profissional e me dá metas: disciplina, equilíbrio, consciência (faço acompanhamento médico e nutricional). Integro um grupo de corrida, o Run - Club (homens e mulheres), formado por empresários e profissionais liberais, comandado por Marcelo Afonso.
Jacques de Beauvoir
Tem competição na jogada?
Davidson
Participo para me ajudar na disciplina. Corri este mês na Meia Maratona Braskem, em Salvador. Vou correr pela segunda vez na São Silvestre, em São Paulo. Ano que vem, corro na Meia Maratona de Berlim, Alemanha. Já ganhei até medalha.
Jacques de Beauvoir
Vamos fazer uma foto devidamente medalhado
Davidson
Esta, ganhei na primeira vez que corri na São Silvestre.
Jacques de Beauvoir
Parece que o atletismo passou mesmo a fazer parte em sua vida
Davidson
Além de perder peso e participar de eventos de média distância era um sonho que acalentava há muito tempo. Comecei a correr com 38 anos. O treinamento é no Colégio Militar da Bahia. Os exercícios são individuais. Cada um tem seu dever de casa. Não tenho pretensão atlética e sim por uma qualidade de vida.
Jacques de Beauvoir
E o desejo de voltar à forma, rejuvenescer, não despertou algo em sua mulher?
Davidson
Na verdade, houve ciúme, atritos no começo. Du não deixou por menos. Fez lipoescultura. Tiramos de letra. Hoje, todos estamos estimulados. Meu filho é atleta por natureza; minha filha joga tênis.
Jacques de Beauvoir
Filho adora ter pai atleta
Davidson
Além do sonho, fui praticamente forçado a enveredar pelo atletismo. Um dia me chamaram para um baba (de pais) na escola de meu filho. Fui um desastre. Meu filho ficou frustrado. Pensava que o pai era um craque.
Jacques de Beauvoir
O que é passar dos 40?
Davidson
É a mesma coisa que passar dos 18. Não mudou nada. Com trinta vem a maturidade. Aos 40, a consciência fica mais focada. Com 30 anos já tinha viajado muito e casei com 24. Quarenta anos reúne tudo: corpinho de 20; consciência de 30 e bolsinho de 40.
Jacques de Beauvoir
Lembro de sua festa de 40 anos. A ambientação traduziu a 'cidade cenográfica' de Davidson Botelho. Foi um barato...
Davidson
Fiz uma reconstrução de minha vida. Procurei todos os amigos de infância em vários segmentos, fiz seleção de músicas e lugares que me marcaram. O passado é muito importante.



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