Mineira, casada com o mega empresário francês Jean Luc Largardère (falecido) e vivendo na França há mais de 30 anos, Bethy Lagardère é uma figura ímpar. A começar pela altura, mais de 1,80m. Rica, famosa e bonita, chega a ser uma personalidade desconcertante pela simplicidade, sempre autêntica e fiel aos amigos. Em sua casa em Paris, costuma recebe presidentes, grandes empresários, artistas, jornalistas... sem contar seu relacionamento íntimo com os grandes costureiros. A entrevista para o BahiaVitrine foi durante a abertura da 8ª Mostra Artefacto Unibanco onde participa com uma coleção de vestidos, parte de uma exposição que realizou na Galeria Lafayette, em Paris, durante as comemorações do Ano do Brasil na França.
Bethy Lagardère: uma referência brasileira na França
BV - Bethy como sua exposição chegou ao Brasil? Bethy - Larissa Bicalho (leia-se Artefacto) fez o convite em Paris e aceitei de imediato. Meus vestidos são peças de arte e podem participar de um evento que envolve artistas plásticos, decoradores e arquitetos. São peças únicas, embuídas de emoção, onde o costureiro valoriza o cliente. Cada modelo é um momento. Cada roupa carrega uma história. Depois, sou uma mulher pública.
BV - Sei que tem vestidos de mais de vinte anos na coleção Bethy - Trouxe peças e acessórios do meu closet, hoje considerados jóias assinadas por Ungaro, Azzedine Alaia, Karl Lagerfeld, Givenchy, Tom Ford, Cardin e Gaultier. Até um modelo de Guy Laroche feito para uma noite de abertura no Festival de Cannes.
BV - A moda brasileira já ganhou mundo. Alguma preferência? Bethy - Lino Villaventura.
BV - Você também é responsável por um dos ambientes (uma sala de jantar) onde se destacam pratos decorados Bethy - Foi uma coleção que idealizei para os 500 anos do Brasil. São pratos com figuras de Carmen Miranda (usando turbantes diferentes) e papagaios com a nossa bandeira embutida nas peças, feitas por Alberto Pinto. Pretendo em breve lançar uma grife de objetos com o nome The Best of B.L.
BV - Ninguém sabia de sua participação na mostra. Por que o mistério? Bethy - Sou muito discreta. Poderiam pensar que estaria competindo. Minha coleção é um elemento do todo.
BV - Depois de Jacqueline Kennedy e a Princesa Diana, Bethy Lagardère é a terceira personalidade mundial a fazer esse tipo de exposição. Haverá uma tournée? Bethy - Rio e São Paulo já mostraram interesse. Seria ótima a passagem por várias capitais brasileiras. Também penso em doar a exposição para alguma entidade.
BV - E o atual momento da política brasileira? Bethy - Nunca me envolvo politicamente. Não tenho representação para isso. Além disso, compromissos vários não me dão chance de acompanhar devidamente os fatos.
BV - E o ano do Brasil na França? Bethy - Foi um sucesso. Acompanhei quase todas as comemorações. Adorei os shows de Gilberto Gil e Jorge Ben Jor.
BV - Você curte a Bahia e nossa culinária. E de repente, esta semana, almoçou e jantou no Soho quase todos os dias? Bethy - Adoro o Soho. Só que foi uma correria danada. Não tive tempo para outros restaurantes. Sou apaixonada pelo Yemanjá.
BV - Você é uma pessoa simples mas a figura (altíssima) e sempre de óculos escuros à noite lhe dá um toque de excentricidade Bethy - Choses de la vie! Brincadeira. Adoro andar de chinelo, vestir caça de linho, bater papo com amigos em restaurantes. Me identifico muito com meu país. Sou brasileira mesmo!
BV - E Jean Luc Lagardère? Bethy - Não admito a ausência do meu marido. Passei uma fase onde minha vida chegou a ficar desnorteada. Engordei, tomava muito comprimido para dormir, fiz um ano de desintoxicação...