
Jacques de Beauvoir
Aparentemente é tudo muito simples. A história de uma costureira sofrida por amor não correspondido e de uma noiva às voltas com preparativos do casamento. Uma história que poderia ser lacrimejante ou divertida. E pronto. Só que sabiamente, Aícha Marques, Maria Menezes, Caíca Alves e Hebe Alves trabalharam o roteiro alicerçado no cinema mudo e no rádio, que tiveram seu auge nos deliciosos Anos 20 e 50, quando, respectivamente, o tragicômico e o romantismo faziam parte do cotidiano das pessoas. Criativo é pouco para nominar
Uma vez, nada mais. O espetáculo é um aprendizado detalhado de movimentos corporais, pesquisa e muito amor ao teatro. Resultado: um das melhores montagens do ano. A direção de Hebe Alves é primorosa. E o trabalho das atrizes Aícha Marques e Maria Menezes vai ficar na história. A interpretação das duas (em alusão ao cinema mudo) é perfeita - do gestual à harmonia com a música ou qualquer ruído. As cenas atendendo ao telefone são de uma precisão impressionante. A linguagem do rádio, a dublagem, a radionovela e o começo das novelas de TV, entram como pano de fundo, dando elementos imprescindíveis para a trama. Tudo devidamente amarrado ao cenário, figurino, trilha sonora, locução e iluminação. A peça, vencedora do Prêmio Braskem de Teatro/2009 (melhor espetáculo e melhor atriz para Aícha Marques), está em cartaz até o final deste mês (de sexta a domingo, às 20hs), no Teatro Vila Velha.
Texto de Jacques de Beauvoir